Sueco revela que foi sequestrado por militares na Copa de 78

O ex-atacante Ralf Edström, uma das estrelas do futebol sueco na década de 70, revelou nesta sexta-feira que foi “sequestrado e interrogado” por militares argentinos durante a disputa da Copa de 1978.

Ralf Edström (centro) diz que prefere nem pensar no que teria acontecido se não tivesse a identificação de jogador

Foto: AP

O ex-jogador da seleção da Suécia contou que na noite anterior à partida contra a Áustria, pela fase de grupos, saiu para dar um passeio quando dois homens armados se aproximaram e o obrigaram a acompanhá-los até um local onde um homem o esperava. Edström suspeitou ser um militar.

“Saí só uma noite e então apareceram dois homens armados ao meu lado e me pediram que os seguisse. Me levaram por muitos corredores debaixo do campo perto do hotel e fui interrogado por um homem com óculos escuros sentado atrás de uma mesa”, afirmou Edström à emissora pública Rádio da Suécia.

O interrogatório se limitou a poucas perguntas sobre sua origem e terminou depois que o então atacante mostrou seu credenciamento para a Copa e foi liberado.

“Meu coração batia com força, embora ao mesmo tempo estava muito seguro que não se atreveriam a fazer nada com um jogador da Copa. Mas não me atrevo a imaginar o que poderia ter ocorrido se não estivesse com minha identificação”, disse.

Edström relaciona o incidente a um episódio ocorrido dias antes, quando ao tomar café sózinho em um bar, conversou com um desconhecido, que depois revelou ser um advogado argentino.

O homem denunciou entre lágrimas a situação no país e no final os dois acabaram se abraçando.

“Acho que foi por isso que estes homens, que entendo que pertenciam à junta militar, me sequestraram dias depois, porque tinham me visto com aquela pessoa”, disse.

Ex-jogador do PSV Eindhoven e do Monaco, Edström só contou sobre o ocorrido para alguns companheiros, e não chegou a avisar o treinador. Mas o sueco afirmou que pensou em tornar o fato público.

“Pensei em contar para a imprensa, mas me pareceu que era algo sensível, levando em conta que estávamos na metade da Copa e que nos encontrávamos justamente na Argentina”, confessou o jogador, que no entanto lamentou não ter divulgado a história ao retornar para seu país.

Perguntado pelo motivo de revelar a história mais de três décadas depois, Edström explicou que a Rádio da Suécia o procurou para realizar um documentário sobre o Mundial de 78 e ele considerou que era o momento “oportuno” de falar.

Eleito por duas vezes o melhor jogador de seu país, em 1972 e 1974, o ex-atacante foi campeão sueco com o Atvidaberg, holandês com o PSV e francês com o Monaco.

Pela seleção da Suécia, Edström fez 15 gols em 40 partidas (quatro na Copa de 78), e disputou dois Mundiais.

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